
Pouco tempo atrás, ao passar pela esquina aqui perto, levando o meu cachorro para o seu passeio noturno, deparei-me com uma cena engraçada: um moleque desgarrou-se da mãe e corria atrás da gente, aos insistentes brados de ‘cachorrinho’, cachorrinho’...
Não houve dúvidas a respeito de a quem o garoto estava se referindo, afinal, com quase 1,80 de altura e modestos 80 e tantos quilos, nada tenho de ‘inho’.
Mas até aí o nobre leitor pode estar se perguntando o que há de inusitado nisso.
Respondo: o inusitado veio depois, quando a referida mãe de quem ele havia fugido gritou: ‘volte, senão eu chamo os ‘doido’ pra lhe pegar’.
Pra minha surpresa o moleque volta, em desabalada carreira para junto do seio materno.
Bateu-me então uma nostalgia danada...
Do tempo em que doidos assustavam, já que hoje cada um que quer ser a própria personificação do ‘doidão’.
Tempos do velho do saco, figura que assustava garotinhos e garotinhas no Brasil inteiro, assustando-me também em épocas remotas.
Hoje o velho sou eu e, além disso, poças são as menininhas que se assustam com um saco...
Onde terá ido parar toda essa inocência?!
Não sei
Só posso dizer que os dias de hoje e as ‘crianças’ de hoje, assustam-me muito mais que qualquer velho e seu respectivo saco.
Alessandro Paiva.